A morte do cachorro e a descoberta do bebê

Outro dia fui contar para uma amiga como foi quando soube que estava grávida. Relembrei o fato com uma emoção que não pensei ser tão grande. Compartilho com vocês esse momento tão sublime de minha vida. Na verdade, eu fui contar como foi quando meu cachorro morreu e acabei chegando ao episódio da gravidez. Explico.

Eu tinha um cocker, grande companheiro, muito louco e desesperado, o Lion. Tadinho, era louco mesmo, tomava Gardenal. Juro, gente! É que ele tinha epilepsia e vira e mexe tinha crises que duravam horas. Muito triste de ver. Eu estava naquela fase “casei, mudei” e a adaptação deles dois – a fêmea, Branca, e ele – havia chegado ao estágio ideal.  É que quando mudei, eles ficaram quase um mês enlouquecidos na minha casa e enlouquecendo toda a vizinhança. Eu não sabia de nada, já que quando chegava em casa eles estavam como anjos. Só quando a imobiliária ligou para o meu marido foi que soubemos o que acontecia. Daí procuramos os vizinhos e nos comprometemos a cuidar do assunto. Queria morrer quando soube que eles latiam da hora em que eu saía de casa até a noite, quando retornávamos. Um suplício, imaginem vocês!

Enfim, depois de deixá-los na casa-hotel canino de uma amiga por duas ou três semanas, para acalmar a vizinhança que já não era tão amiga, contratei um adestrador. Para minha surpresa, o cachorrão se adaptou e respondeu ao treinamento bem rapidinho. A Branca deu mais trabalho, mas estava ficando em casa numa boa junto com o companheiro.

Na semana do carnaval ele voltou a ter convulsões, após um bom período de calmaria. Ao retornar para casa na sexta-feira da folia de momo encontrei o meu amigão quadrúpede morto no canil. A fêmea estava assustada e um tanto desesperada ao lado dele e pulou no meu colo quando me viu. Obviamente, foi a minha vez de entrar em desespero. Ele teve uma crise fulminante. Enfim, por motivos mais que evidentes não quero entrar nos pormenores do meu estado de tristeza profunda. Devo ter conseguido dormir lá pela madrugada, com a cara inchada e os olhos ardendo de tanto chorar.

Na manhã seguinte, meu marido foi comprar produtos de limpeza poderosos para higienizar o canil que havia ficado um bocado sujo e acabou exorcizando (acho eu) a tristeza que também sentia pelo tanto que esfregou chão e paredes. O fato é que, junto com os produtos, ele trouxe um teste de gravidez desses de farmácia. Eu estava com medo, com receio, ou sei lá o que era aquilo, mas não queria fazer. Tentei adiar, argumentei que tinha que ser com o primeiro xixi do dia, mas nada colou. Bernardo não me deixou recuar. Fiz. Espera 30 segundos, 1 minuto, sei lá quanto tempo, mas pareceu uma eternidade. E eu sozinha no banheiro chorando pela morte do meu cachorro amado na iminência de ter um bebê dentro de mim. Que ironia!

Resultado: duas faixas cor de rosa. E o que significava? Fui ler a bula novamente. Sem dúvida: POSITIVO. E agora? Será que era verdade? Será que era confiável? Será que podia estar errado? Eram tantas dúvidas que a cabeça ficou confusa na mesma hora, deu um nó, passeou do Brasil até o Japão em cinco segundos.

Levei para o marido que confirmou junto comigo. POSITIVO, Neguinha, não tem erro! O cara da farmácia falou que é 99% seguro. Chorei de novo. Os olhos ainda ardiam da noite anterior. Ainda estava de luto e agora descobria algo totalmente novo e incrível. Como reagir a isso? Sentia meu coração explodir de tanta felicidade e ao mesmo tempo me achava uma traidora com meu cachorro por deixar o luto de lado tão rápido. Hoje sei que Deus é um cara muito especial mesmo. Sofri pela morte do Negão, apelido carinhoso do Lion, mas tudo foi amenizado pela notícia da chegada de um bebezinho para alegrar nossa casa. Foram 8 anos de convívio com um cachorro totalmente aloprado, por isso mesmo tão especial. Se não fosse o bebê, não sei como seria tanta tristeza.

No fim das contas, fiz outro teste no dia seguinte, que custou o triplo do preço do primeiro e, não satisfeita, fui fazer o BetaHCG no laboratório. O mais engraçado foi quando peguei o resultado e não conseguia entender aquele tanto de números. Quando o marido chegou em casa, falei para ele que não estava grávida coisa nenhuma, que o positivo era acima de 5 e ali tinha 4 e alguma coisa. Ele pegou o exame e começou a rir falando: “Sua Neguinha doida, aqui tem 4 mil e tanto. Você não está grávida, não, está gravidíssima!” Rimos à beça de tudo isso e, afinal, pude me convencer de uma vez por todas que estava mesmo esperando um bebê.

E você, como foi sua descoberta?

Flávia Gomes

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2 Respostas

  1. A minha descoberta foi como o seguinte diálogo (reservado às portas fechadas):
    – Esposa: Cleiton (….longa pausa), estou grávida….
    – Cleiton: Ih….(longa pausa) Fudeu!.

    brincadeira….
    A gente não sabe o que falar nessa hora, não vou entrar em detalhes, mas, foi como se estivesse num seriado de além da imaginação.

  2. eutinha uma mas ela morreu ela se chamava kesia ams ela esta dentro do meu coraçao te amokesi

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