Para que serve o existir? Para que servem as emoções, o pensar, o agir, o falar? Não compreendo este mundo. Tão contraditório, tão incentivador e ao mesmo tempo tão castrador…
Eu sou, eu quero ser, mas não posso mostrar, não posso, pior ainda, deixar que ninguém saiba, que ninguém veja. Mas de onde vieram essas idéias? Que pensamentos subversivos são esses? Por que pensar dessa forma, minha filha? Para que ser assim? E o que os outros vão pensar? E o que vão dizer de você? E como o mundo vai te tratar? Como os vizinhos irão te perceber?
Ora, às favas com todo mundo! Agora é minha vez de perguntar, querer saber, questionar. Para que cortar as asas? Por que não voar? Para que existe toda essa beleza no mundo, se eu não posso me deleitar? Por que motivos eu teria asas, se não pudesse abri-las e sonhar? O que é subversão? Por que não posso ir na contramão? Por que tenho que ser igual?
Eu quero mesmo é ser quem eu sou aqui dentro. Não quero ser quem esperam que eu seja ou quem gostariam que eu fosse. Uma eterna adolescente sonhadora, uma criança brincalhona, uma adulta sem moral, uma velhota cocota. E quem não tem ao menos um desses perfis por dentro? Se contorcendo muitas vezes, com vontade de sair. Abra a boca agora, sem medo de queimar a língua e acuse. Aponte o dedo mesmo, o dedo inquisidor. Mas cuidado, pois como diz o ditado, “quando se aponta um dedo para o semelhante, existem três dedos apontados para você”. Quer arriscar?
O que diriam todos se soubessem o que guardamos dentro de nós? Somos quem somos e isso não vai mudar. O seu vizinho pode não saber, mas o seu travesseiro, esse com certeza, sabe. E que diferença isso faz? Nenhuma, se você não quiser que faça. Podemos não deixar sair nossos desejos, nossos pecadilhos, nossos defeitos mais incrustados, mais profundos. Mas somos o conjunto de tudo isso, defeitos e virtudes. A hipocrisia social sufoca os atos, mas não poderá jamais sufocar os pensamentos, os sentimentos que ardem dentro de nós.
Cada um traz dentro de si o seu ser verdadeiro. E seríamos muito melhores se pudéssemos ser quem somos. Sem jogos de poder, sem armadilhas para atrair, sem planos mirabolantes para manter e prender. Sem vinganças por que o outro não fez o que você quis. Afinal, o que eu quero pertence a mim e o outro não tem nada a ver com isso. Se quiser me acompanhar na minha viagem ou me convidar para viajar com ele, ótimo. Se não, o caminho é meu e isso é importante saber. Apenas sentir, viver, se comunicar mais, interagir mais. Com menos obrigações e mais atos de vontade própria.
Esse é o meu pensamento. Ah, claro, ainda tem muito mais aqui dentro. Concordo e confesso que não é fácil ser quem somos. Mas tentar é algo que ainda podemos fazer. Por isso solte-se, liberte-se das tantas amarras castradoras, vá em busca de ser feliz, de ser quem você é. Obedeça apenas aos princípios do fundo do seu coração, amar ao próximo, acreditar no Ser Supremo de sua preferência, ouvir a voz que vem de dentro de você quando se retira em silêncio para pensar. Voar pelo mundo com seus princípios e crenças, sem destino. O que importa onde vamos chegar se não pudermos aproveitar a caminhada e sorver as delícias do caminho?
Flávia Gomes
Arquivado em: Meus pensamentos | Tagged: acreditar, amarras, busca, caminho, castrador, destino, emoções, felicidade, idéias, mundo, não ter vergonha, original, pensamentos, viver

Pois bem…. Isso e o q vc pensa, ja dizia seu texto. Nem sempre o q pensamos e o correto, o que nos leva a outro pensamento, o que e o correto? Talvez a criança a qual se refere nao tem noçao do mundo em q vive, porque simplesmente vive, digamos, é como ligar um carro, de partida, deixe o motor funcionando, e só de a manutenção necessária para ele continuar funcionando. Tudo é novo, tudo é diferente. Talvez as coisas so vão fazer sentido no dia em que vc parar de procurar respostas. Viva a vida, troque o óleo, siga em frente. Há um abismo de depressão muito próximo do limiar entre paradigmas existenciais e entendimento do que significam. bjim